sábado, 31 de maio de 2008

Eagle vs Shark - Uma estranha estória de amor

Eagle vs Shark é um filme que não tem uma estória com enredo clássico, cheio de reviravoltas e surpresas, com picos de emoção e suspense, etc, etc. Não tem uma estória empolgante... é um filme sobre pessoas estranhas, com relações idem, que levam uma vida comum (a vida comum É estranha!). Aliás, é da Nova Zelândia que, cá entre nós, é um lugar deveras estranho, terra natal do ornitorrinco e do demônio da Tasmânia...
É um tratado sobre a estranheza sem no entanto ostentar a pretensão de sê-lo; a essência do enredo é de uma simplicidade incrível, até mesmo banal: moça conhece rapaz, se apaixona, começam a namorar, a relação é posta à prova e ela consegue enfim mostrar que seu amor está acima de qualquer obstáculo. Poderia ser a sinopse de uma comédia romântica bem ao estilo hollywoodiano. E Eagle vs Shark até pode ser chamado de comédia romântica: o filme é muito engraçado, mesclando momentos de total escracho com outros onde o humor é sutilmente implícito, e é acima de tudo uma história de amor. Há, no entanto, muito mais que isso em Eagle vs Shark. O melhor da história não é o que está explícito, e sim as mensagens mais ou menos escondidas nas entrelinhas. São elas que verdadeiramente emocionam e produzem questionamentos. Para percebê-las há que se ter apenas o mínimo de sutileza.
A protagonista é Lily, típica "looser", desgrenhada,solitária,tímida e encolhida, que mora com um irmão tão abobalhado quanto ela e tem um empreguinho maçante numa lanchonete fast-food onde tenta inutilmente "se enturmar" com a colega de trabalho popular. Ela se apaixona por Jarrod, sujeito extremamente nerd, arrogante e com tendência a fantasias de auto-exaltação, que trabalha numa loja de brinquedos/locadora. É claro que todo o seu egocentrismo esconde uma tremenda insegurança, que vai se revelando quando ele convence Lily a viajar para sua pequena cidade natal, com o intuito de colocar em prática um plano de vingança contra o valentão da escola, que batia nele quando era criança.
A partir daí, o castelo de cartas de Jarrod vai aos poucos desabando, e todas a suas neuroses vêm à tona enquanto nos confrontamos com sua família e seu passado, como o fantasma do irmão morto, por exemplo, que era campeão em tudo e idolatrado pelo pai, que praticamente ignora sua existência. Fica claro o que já era presumível: por trás de toda a arrogância, Jarrod é um sujeito profundamente frustrado, que apenas finje se considerar o último biscoito do pacote.
Lily, por outra lado, aceita as chatices mal-criadas de Jarrod sem reagir. No entanto, vai conquistando aos poucos sua família,com seu estilo autêntico e "sem-jeito", mas com um grande coração - inclusive o pai, o que vai deixando Jarrod cada vez mais enciumado e frustrado, enquanto treina pra colocar em prática sua vingança pessoal ( mistura de treinamento ninja com técnicas de guerra, as cenas em que ele se prepara para o "combate" estão entre as mais hilárias do filme).
O desfecho de seu encontro com o "inimigo" é surpreendente. E a presença de Lily acaba sendo fundamantal na reconciliação de Jarrod com o pai e com o próprio passado.
Ah, e o final é fofo, fofo...

Em tempo: o nome do filme em Português é Loucos por Nada (pergunta que não quer calar: quem inventa esses diabos desses títulos em Português???)

2 comentários:

MELissa disse...

Segundo Marcelo Adnet é escolhido por sorteio. Por exemplo em um potinho vc tira "loucos por" e no outro "nada". e assim vai formando os títulos... ao invés de "nada" poderia ser "desejo", "tudo", "sexo"... Ao invés de "loucos por" poderia ser... ah sei lá... pensa aí!

ps: eu vou entrar para o livro dos recordes no quesito "a pessoa que mais posta no blog da aurora".

Aurora disse...

hahahaha!!!
Ao invés de "Loucos por..." poderia ser "Desejo de..." ... enfim...