sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Música pro fim do carnaval

Mais um carnaval que termina...
Eu ainda carrego o estandarte com um coração vermelho pintado partido ao meio.
Sambei sobre cacos de vidro
só pra ver se a vida devolve tua imagem perdida na escola de samba.
Ah, se eu pudesse ser bamba
Ah, se eu pudesse ser tua
Ah, se eu pudesse ser todo o confete que desce no meio da rua...
Pra colar no teu corpo
Pra rolarmos no asfalto
pra cair lá do alto e forrar de poeiras de estrelas cadentes
onde você pisa.
meu coração ainda precisa
carnaval o ano inteiro
pra esquecer que ano passado te ganhei e me perdi.
Meu coração tá cansado de sambar descompassado
no carnaval que termina te perdi.

(ponha a melodia que quiser, eu tenho a minha...)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

He's so vicious

Tenho um corte no canto do lábio inferior direito que dói quando ele me beija. Gosto dessa dor e quando o corte cicatriza eu mordo o canto do lábio até sangrar, pra doer de novo. Quando ele não está comigo passo a língua sobre o corte, devagar. É como se ele me beijasse. É um vício que não consigo largar. É um vício.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009



picture by milk - http://www.myspace.com/logyu

Manifesto do Amor Necessário

Não tenho mais vergonha de chorar em público. Nem de demonstrar o que eu sinto. Há tempos parei de me importar com as imposições imbecis do mundo em que vivemos, dos parâmetros desumanizantes da sociedade contemporânea que dizem que é melhor quem não se importa, que ser forte é não sentir, não se deixar abater pelas paixões e por todas as frustrações e sentimentos arrebatadores que elas podem gerar. Quero declarar agora, a plenos pulmões, aos quatro ventos, que sou um ser humano que vive sob a égide da ternura, apesar de todos os esforços deste mundo merda de me transformar em uma reles carapaça vazia de emoção, ou em alguém que reprime tanto aquilo que sente, buscando uma suposta superioridade, que acaba transmutando todo amor em amargura.
Amo sim, amo muito, porque tenho dentro de mim uma imensa capacidade de amar, condição sine qua non da minha existência. Tenho o direito, enquanto representante de uma conturbada espécie que caminha cega e descontroladamente em direção à auto-destruição, de amar irrestritamente, mesmo que para isso esteja exposta ao julgamento dos covardes, que não têm coragem de deixar-se arrebatar; dos que já perderam (ou nunca tiveram) ternura suficiente para viver a intensidade daquilo que sentem; ou dos que simplesmente compactuam com os parâmentros contemporâneos, reprimindo toda e qualquer sensação que possa abalar as estruturas da fortaleza que construíram em torno de si, para abrigarem-se de tudo aquilo que lhes ensinaram que deveriam temer.
Do julgamento vazio destes não tenho mais medo. Porque ainda acredito que tenha pares neste mundo – embora poucos. Alguns já os tenho próximos a mim, outros acredito existirem perdidos por aí, amando e sofrendo, chorando e se sensibilizando, sentindo e deixando aflorar os sentimentos até transbordarem, extravazando as barreiras da mediocridade alheia, interferindo no dia-a-dia mesquinho dos conformados, sendo a pedra no sapato dos que precisam a qualquer custo manter-se imunes às perturbações do sentir, julgando-se vitoriosos diante do que provavelmente consideram um tremendo incoveniente: amor.
O Jabor escreveu certa vez, numa série de crônicas maravilhosas onde ele expunha suas cáusticas e muito precisas constatações em relação ao que transformou-se o amor e as relações entre as pessoas no mundo contemporâneo, que o amor incomoda aos poderosos porque atrapalha a produção. O amor é contra-producente, pois para atender às demandas do todo poderoso mercado, o sujeito precisa ser frio, inescrupuloso e competitivo. E tudo isso bate de frente com o amor; amar ao próximo não condiz com o comportamento exigido pela sociedade nos dias de hoje. Porque o amor não é racional. Não é controlável, não é passível de análise dentro de padrões cartesianos. É um descontrole, uma manifestação inconsciente, uma patologia – ou seja, um incômodo. Deve, portanto, ser banido, ou pelo menos evitado como um mal desnecessário.
Amar intensamente, e expor desavergonhadamente ao mundo a intensidade de tudo o que sinto, é portanto não só uma necessidade intrínseca ao meu ser impregnado de ternura, mas também uma atitude de resistência ao processo de desumanização a que estamos submetidos o tempo todo, e uma forma de dizer ao mundo que não concordo e recuso-me a compactuar com toda a mesquinhez, covardia e sordidez que vão sendo implementadas e consolidadas ao longo deste processo.
Sem a pretensão de ser entendida. Ou amparada. Apenas amando, contra a corrente. Muito e sempre.